Pari passando pelos 3 tipos de parto: natural, normal e cesariana

Nasceu no dia 23 de setembro de 2009. Chegou junto com a primavera… agora que escrevi isso me dei conta de quão simbólica é essa “renovação” que meu bebê trouxe para nossas vidas.

Tive um parto bem difícil, física e emocionalmente falando e acabei passando pelos 3 tipos de parto.

 

41 semanas de gestação
41 semanas de gestação

Não foi e não está sendo fácil para mim lidar com essa montanha russa de emoções – causadas por fatores externos e pela reviravolta dos hormônios.

Um fato muito triste e de caráter muito pessoal desencadeou as contrações do trabalho de parto… e, mesmo considerando íntimo demais, vou dividir esse momento com vocês porque acho que pode ser importante para muitas mamães.
(Up 2015 – inclusive com fotos do nosso arquivo pessoal – coisa que tenho evitado ao máximo como explico no Sobre Mãe Integral)

Na madrugada do dia 22 de setembro recebi um telefonema anunciando o falecimento do meu pai (que morava em outro estado e estava se preparando pra vir conhecer o netinho). Foi um enfarto fulminante.

As contrações – leves ainda – começaram algumas horas depois do telefonema. Em uma das vezes em que fui ao banheiro, notei um pouco de sangue na calcinha, e isso me assustou um pouco. Ligamos para nossa médica e logo pela manhã fomos até o consultório para que ela visse se estava tudo ok.

Depois de uma avaliação, ela nos orientou que o trabalho de parto havia começado, que aquele sangramento era normal e não havia motivo de preocupação e que poderíamos voltar pra casa, chamar a doula e aguardar o momento ideal de ir para a maternidade.

Pois assim o fizemos.

Passei o dia todo com contrações regulares e dolorosas. A dor era tão forte que me assustei: “se é assim no começo, como será que vou aguentar quando ficar mais forte?” eu dizia para a Mayra (nossa enfermeira/doula). E ela, com sua calma e serenidade me ajudava a respirar corretamente e fazia massagens nos momentos das contrações para aliviar a dor, facilitar meu relaxamento e, por consequência, facilitar a dilatação.

Viramos a noite nesse ritmo. Ninguém dormiu. Nem eu, nem meu marido, nem Mayra. Todos nós em franco trabalho de parto.

Na manhã seguinte (dia 23), fomos logo cedo para a maternidade onde a nossa Doutora me examinou novamente.

No exame de toque, ela constatou que minha dilatação não passava de 2cm… e “olhando” mais a fundo, ela descobriu o motivo: uma fibrose, resultante de uma cauterização no colo do útero feita na adolescência.

Essa “cicatriz” meio dura estava impedindo a dilatação. Então, depois de conversarmos, um toque mais profundo e vigoroso (e muito dolorido) removeu essa tal fibrose, fazendo com que a dilatação fosse para 5cm. Nesse manuseio a bolsa arrebentou e pudemos ver que já havia mecônio na água. Mas mãe e bebê estavam ok. Os batimentos cardíacos do Gael estavam ótimos e ele se movimentava bem.

Ainda restava uma “fibrosezinha”, que talvez não interferisse.

Dei entrada na maternidade e já fui direto para a sala de parto, onde uma banheira cheia e quentinha esperavam o momento ideal para que eu desse à luz.

Mais um dia de dores que foram amenizadas com as mais diversas alternativas naturais: Massagens, respiração adequada, acupuntura, homeopatia, música suave, etc.

As contrações eram tão fortes e num espaço de tempo tão perto uma da outra que era impossível para mim comer qualquer coisa. Eu já estava muito cansada das dores e de não conseguir dormir e a todo instante meus pensamentos fugiam lá para o meu pai.

Os batimentos cardíacos do meu bebê eram monitorados de meia em meia hora e estavam ótimos.

Lá pelo meio da tarde (sei lá se era tarde mesmo porque eu já não tinha noção de tempo), em outro exame de toque, a Dra. constatou que minha dilatação não havia evoluído nada além dos 5cm. Então decidimos que ela iria remover a outra fibrose, mas que eu não aguentaria sem anestesia.

Foi aí minha “primeira derrota”: Não haveria mais parto natural (sem analgesia). Iríamos para o Normal.

Preparada com a Rac, pela primeira vez em “dias” eu não sentia dor. A fibrose foi removida e, como da outra vez, a dilatação pulou de 5cm para 7cm.

Nessa trégua de dores, eu sentia muita fome e sede, mas por causa da analgesia não podia comer nem beber nada. Estava só no sorinho.

Depois de algum tempo, o efeito da anestesia ia passando e eu ia percebendo as contrações. Ainda não eram dores, mas eu percebia melhor cada nova contração que chegava.

Outra coisa que constatamos é que apesar do meu bebê estar de cabeça para baixo, ele estava posicionado de um lado que no “momento do giro pra sair” ele ficaria de frente (olhando para meu umbigo) e não de costas (olhando para meu bumbum) como seria o ideal. Embora a Dra. dissesse que isso não era problema para o parto normal, talvez a dor fosse um pouco maior, mas estávamos fazendo “exercícios” e “posições” para incentivar o bebê a se posicionar melhor para a saída.

Passei o dia todo administrando contrações, dores, exercícios e posições, respiração…. tudo isso “vazando” líquido amniótico. O monitoramento dos batimentos cardíacos do meu bebê mostrava uma “regularidade” que indicava que ele também estava cansado.

“O ideal para um bebê dentro da barriga, é que os batimentos cardíacos tenham uma certa cadência – como uma cavalgada” – disse a Dra.

Minha dilatação não havia evoluído nada… e foi o momento da conversa decisiva: Nossa Dra. Roxana nos explicou que meu bebê não estava em risco de vida… ainda e, embora seu ritmo cardíaco tivesse mudado, ele se movimentava muito bem dentro da barriga.
Lyla, se você quiser seguir em frente, eu posso esperar até o último momento seguro para o bebê, para que tenhamos um parto normal. Me preocupo com você, seu cansaço… Você está com 41 semanas e 3 dias de gestação… está com contrações há mais de 36 horas. Veja, vcs já passaram por todos os estágios. Você conseguiu proporcionar ao seu bebê todos os estímulos e hormônios necessários para que ele se prepare para sair…”

Não esperei ela concluir. Aceitei a cesariana… resignada.

Uma guerra interna começou enquanto eu estava sendo preparada para a cirurgia. “Fui derrotada” pensava algumas vezes… “Lutei até meu limite” pensava outras vezes.

Num dado momento, o anestesista se aproximou e falou com tranquilidade: “Já vemos a cabecinha dele“. Nessa hora um gatilho foi acionado na minha mente e eu me transportei para a sala de parto, dentro da banheira, de cócoras, amparada pelo meu marido, vendo a cabeça do meu bebê despontando para fora.

Mais uma vez o anestesista se aproxima e diz com suavidade. “Pronto, nasceu, ele está bem…” Continuei lá na banheira, sentindo a última contração e vendo o corpinho do meu bebê todinho na água, pronto para vir ao meu colo.

Foi então que soltaram minhas duas mãos e colocaram meu bebezinho nos meus braços – como eu havia pedido no Plano de Parto caso eu tivesse que me submeter a uma cesariana.

Enquanto estava sendo suturada, meu filhinho permaneceu comigo e com meu marido (que não saiu do meu lado um só minuto). Só então a pediatra pediu para levar o bebê para os primeiros exames (e o maridão foi junto).

Nasceu o nosso lindo bebê, pesando 3.290 quilos e medindo 50 cm. Não nasceu assustado, nem esperneando, nem sofrendo de dores por nascer antes de estar pronto. Nasceu tendo recebido todos os hormônios necessários para esse amadurecimento, nasceu passando por todo o processo de contrações e preparações… nasceu fortalecido por uma mãe e um pai que pensaram primeiro no seu bem estar e em suprir suas necessidades. Nasceu com a certeza do nosso amor incondicional e da minha capacidade de doação.

Nasceu uma mãe, passando pelos três tipos de parto, lidando com dificuldades emocionais e físicas. Nasceu um pai, que vivenciou o que poucos homens têm a oportunidade de viver, numa intensidade quase que feminina, com um envolvimento que só o amor convida.

 

Nasceu uma família.

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